Bullying, uma reflexão: o Caminho para a Prevenção

O bullying acontece, quando existe um movimento real contra uma determinada criança.

É uma campanha, uma perseguição contra um alvo muito bem definido.”

               Nívea de Carvalho Fabrício, psicóloga e psicopedagoga

Este é um tema muito denso, que reflete especificamente o momento difícil que atravessamos. Uma época em que os papeis sociais de cada um estão sendo discutidos. Não podemos nos calar para a problemática aqui envolvida. Afinal quem deve desempenhar o papel de educar nossas crianças e jovens? A família, a escola ou uma outra instituição?

Quando pensamos em educação queremos englobar a construção de valores estruturantes para um indivíduo, como: respeito, tolerância, generosidade e companheirismo. Exatamente tudo isso é o que mais falta no mundo atual. E é na ausência de tais sentimentos que atitudes como o bullying crescem e transformam-se em verdades capazes de destruir pessoas.

Infelizmente hoje muitas famílias deseducam seus filhos, na medida em que não colocam limites funcionando num perfil extremamente permissivo. Como se o bom pai tivesse que ser o sujeito provedor preocupado em suprir as demandas materiais dos filhos em quaisquer circunstâncias.

Os pais comprometidos com a educação de suas crianças precisam saber que é importante dar uma boa base emocional para elas, e isso não quer dizer aceitar qualquer coisa que venha delas. Longe disso…o “não” pode valer como um “sim” ao ato de amor, porque não é tarefa fácil ensinar valores morais às crianças.

A escola deveria ser uma instituição mais ligada ao desenvolvimento intelectual e dar continuidade ao polimento do caráter dos alunos através do seu papel social. Mas a história não é bem assim… percebemos que a escola arca com uma responsabilidade cada vez maior na educação das crianças. E o que podemos fazer?

Devemos buscar uma parceria com a família. Tentar envolvê-la ao máximo possível nas atividades escolares, além de manter o canal de comunicação sempre aberto. Deixar claro para os pais que as frustrações fazem parte de uma vida saudável, inclusive porque servem como forma de amadurecimento.

Amadurecer é um processo contínuo, muito particular de cada ser, que não acontece somente por vontade própria, e sim através de uma sucessão de experiências de vida combinadas ao desenvolvimento emocional de cada indivíduo.

Cada pessoa tem o seu próprio tempo, uma individualidade que se expressa pelos seus talentos. A escola deve ser um lugar que incentive o aluno a conhecer esses recursos próprios e seus limites também. Para que, através do autoconhecimento, o jovem tenha uma maior facilidade em compreender o seu colega. Aprender a escutá-lo e respeitar as diferenças de cada um contribui para uma queda no índice de bullying na comunidade escolar.

É necessário falar sobre o bullying na escola. Fazer com que o tema seja debatido entre os alunos. Deixar claro as consequências desastrosas que ele pode causar na vida de qualquer pessoa. Os autores do bullying são vistos como os “mais espertos”, enquanto que os alvos (os agredidos) são estigmatizados como fracos e bobos. É preciso virar o jogo.

Há momentos em que a escola precisa “endurecer” para não compactuar com os alunos mais abusivos, que gostam de agredir física e/ou moralmente os colegas. Para isso deverá usar sua autoridade para intervir e criar estratégias que desarmem as brincadeiras que facilmente transformam-se em violência contra o colega de turma.

Uma forma de conter o bullying é desenvolver um Plano de Ação para a escola. Um trabalho em equipe que deixe claro os limites de comportamento e atitudes que não serão aceitas pela escola.

O Plano deve ser desenhado para toda a Escola por uma equipe especial constituída por coordenadores, professores e talvez alguns alunos representantes de turmas. Precisa ser objetivo e conter informações sobre o bullying.

Quanto mais informações puderem ser divulgadas a respeito do assunto, melhor. O grupo encarregado de definir o plano tem que levar em conta os seguintes aspectos:

  • Reforçar o movimento da escola contra ele.
  • Esclarecer antigas regras de convivência,
  • Criar novas regras, se necessário.
  • Fixar consequências para os autores de bullying.
  • Trabalhar na divulgação maciça não só entre os alunos, mas para toda a comunidade, inclusive os pais.
  • Definir quem poderá intervir (professor/ coordenador e/ou diretor) em situações delicadas.
  • Adotar atitudes cabíveis de acordo com o perfil (idade e série escolar) do autor do bullying.

  É importante salientar que o professor não pode se omitir, mas precisa ter cuidado para não levar o problema para o lado pessoal. Deve distinguir o que é uma brincadeira aceitável daquilo que é agressão, neste caso usando o bom senso. Não pode consentir ou incentivar (mesmo que não seja intencional) certas piadas ou comentários que possam dar margem ao bullying entre os alunos. Vivemos em uma época em que tudo deve ser medido antes de ser falado.

Com as crianças menores o trabalho deve começar na prevenção. Conscientizá-las dessa ação como violência e não como brincadeira. Incluir em todas as atividades da escola, alunos com deficiências físicas ou intelectuais para combater preconceitos. Abordar também a seriedade do cyberbullying, algo que pode ser ainda mais cruel por ampliar suas proporções, já que a notícia quando circula na rede pode causar um estrago ainda maior.

Por fim é preciso investir em medidas educativas que fortaleçam a reflexão, ajudem na transformação da sociedade para uma menos egoísta e mais tolerante com as diferenças. Não dá para fazer tudo. Hoje a tarefa de educar é considerada muito desgastante, pois são tantas possibilidades…Por isso mesmo que para a escola e a família só existe uma opção: trabalhar em parceria na educação dos jovens. Não há como escapar.

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