Minha Mãe, Muitas Heroínas

Lembro bem que, quando criança, gostava de ver minha mãe se vestir para sair com meu pai. Nos eventos  sociais importantes ela caprichava mais. Quase posso sentir o seu perfume, ver alguns dos seus vestidos e a maquiagem guardada na penteadeira… Lembro de usar seus sapatos de salto alto, que naquela época pareciam gigantescos, e tudo o que eu mais queria era poder me equilibrar neles…

Sem dúvida, minha mãe era a mulher mais bonita do meu universo infantil. Na minha fantasia ela era a Gata Borralheira, que cuidava da casa e de todos, e quando saía para passear, se transformava na Cinderela! Sempre elegante, magra, cintura fina. Cabelo castanho e rosto largo iluminado por um lindo sorriso.

Ela era também a Mulher Maravilha: cozinhava, arrumava a casa, cuidava das filhas, costurava, ía ao supermercado, açougue, farmácia, feira, além de nos levar ao pediatra, homeopata, dentista, nas aulas de balé, artes, inglês, coral…

Tinha várias facetas. Uma delas era ser a Mulher Biônica. Aquela do seriado dos anos 70, 80, namorada do Cyborg, o homem de seis milhões de dólares. Exatamente porque minha mãe fazia tudo numa super velocidade, que, ao meu ver, era algo inigualável.

1973c

Guardo no coração a lembrança da minha mãe contando histórias. Eram muito reais, sempre com uma riqueza impressionante de detalhes. Saídas dos livros que ela lia ou dos filmes que assistia, ganhavam vivacidade quando contadas por ela. Foi a minha primeira professora, quem me ensinou a olhar o mundo e a ver o outro, além de mim mesma.

Minha mãe se chamava Mirna. Paulistana, neta de portugueses, criada na região central da antiga São Paulo. Primeira filha de um jovem casal pobre, mas com vontade de lutar por uma vida digna.  Nada foi fácil….As filhas, minha mãe e tias, jovens bonitas e educadas, logo foram trabalhar. 

Ela só conseguiu se formar no magistério, um pouco mais tarde, aos 22 anos. Guardo seu álbum de formatura com as fotos de seus mestres e colegas de turma. Era a mais velha delas, mas nem de longe parecia ser. Talvez um certo ar descontraído e seu jeito fácil de se relacionar com as pessoas contribuíam para sua jovialidade.

Falar da minha mãe é muito fácil para mim. Minha grande amiga. Mas o melhor de tudo, é que ela era e sempre será a minha…mãe, a única que desejei ter nesta vida! Um presente! Gostaria que todos tivessem uma boa mãe. Não precisa ser perfeita, afinal quem é? Mas deve ser amorosa e que tenha vontade de dar o seu melhor aos filhos.

Feliz Dia das Mães!


3 comentários em “Minha Mãe, Muitas Heroínas

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