Cinema – Noé

Não vá assistir o filme Noé com a expectativa de ver na telona um épico emocionante, daquele tipo que pode facilmente levar você às lágrimas. Aqui a história é outra…

Sim, o longa é baseado na passagem bíblica de A Arca de Noé. Aquela que narra o episódio em que Deus, descontente com o comportamento corrompido de seus filhos na Terra, resolve acabar com o mundo, mandando um grande dilúvio como punição. Os únicos sobreviventes são: Noé, sua família e os animais salvos pelo protagonista, que havia passado anos dedicando-se à construção de uma arca grande o suficiente para abrigá-los.

Apesar da espinha dorsal de Noé ser este famoso episódio, o diretor, Darren Aronofsky, olha para ele de uma maneira bem diferente. 

A batalha entre o bem e o mal arrasta-se durante o filme todo. O bem representado por Noé e o mal por Tubalcaim, o vilão, que como o líder dos humanos, incentiva-os a cometer os vícios de conduta e a viver na esbórnia total.

O personagem Noé, estrelado pelo ator Russel Crowe, é mais complexo do que o Noé bíblico. No filme ele age como uma pessoa obcecada, cuja visão sobre a raça humana é totalmente negativa e sem chance alguma de se regenerar. Por isso mesmo a solução está na extinção da humanidade, que acontecerá quando o seu filho mais novo morrer, como o último de sua linhagem.

Noé de Aronofsky toma medidas drásticas para seguir à risca a ordem de Deus. Nem seus próprios filhos escapam do seu julgamento, pois ele enxerga em seus descendentes mais pecados do que virtudes.

Os conflitos familiares conferem ao longa um clima sombrio. A narrativa angustiante mostra personagens tão intensos quanto atormentados ao vivenciar seus dilemas. A esposa, interpretada por Jennifer Connelly, aparece sempre dividida entre respeitar as decisões do marido e apoiar os desejos dos filhos.

Enfim todos precisam conviver dentro da arca num ambiente pesado e de medo, que em nada lembra a famosa história bíblica.

O diretor reconta uma história milenar imprimindo certos traços contemporâneos. Por exemplo, o filme está recheado de efeitos especiais, talvez até numa dose exagerada. E não há como deixar de notar uma mistura eclética de elementos místicos e religiosos nas atitudes do personagem de Anthony Hopkins.

O lado mais perverso da humanidade parece ser bem dissecado neste longa. Os sete pecados capitais: gula, luxúria, avareza, ira, soberba, preguiça e inveja, são cometidos abertamente na história. Mais do que nunca, talvez este lado represente muito bem o momento atual em que vivemos. Talvez por isso faça sentido que Noé seja mais duro e inflexível e tenha uma esposa com opiniões e atitudes próprias. Seus filhos também não o obedecem cegamente.  Novos tempos…Outras interpretações…

Com certeza Aronofsky conseguiu imprimir uma versão, no mínimo, polêmica.

CAPA_DO_FILME_NO_JUNIOR_DVDS_DESIGNER_Ficha Técnica

Estados Unidos, 2014

Direção

Darren Aronofsky

Produção

Darren Aronofsky

Elenco

Russell Crowe

Jennifer Connelly

Douglas Booth

Logan Lerman

Emma Watson

Anthony Hopkins

Ray Winstone

Música

Clint Mansell

Distribuição

Paramount Pictures

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