Poesia – Recobrando os sentidos

Quando finalmente cheguei lá

Não sei se realmente é aonde queria estar…

Foram tantos percalços pelo caminho,

Tantas pedrinhas que me feriram,

Que já não me conheço mais.

As estradas são assim,

Como apostas que fiz.

Apenas por desejar sempre

O que me parecia melhor.

Mas tudo muda de uma hora pra outra,

Como um sonho que termina.

A razão pode não estar perdida,

Mas não me compreende mais.

Tudo seria mais simples,

Ou pelo menos diferente,

Se a escolha fosse outra…

E como desorganizar

O que está arrumado?

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Sinto que a vida é um estranho presente,

Que veio embrulhado num papel de seda,

Cheio de laços de todas as cores.

Não precisaria ter tanto enfeite…

Queria algo mais simples,

Como uma flor colhida de um canteiro qualquer,

Ou uma cartinha singela escrita com afeto

Pra guardar comigo pra sempre.

Como lembranças do que poderia ter sido.

 Um caminho não percorrido.

Uma música jamais tocada.

Desejos soltos no céu

Escondidos nas estrelas

Douradas de papel.

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