Educação V – Alcoolismo na adolescência

Iremos falar sobre o Alcoolismo na Adolescência dada a urgência em promover discussões a respeito deste tema em todas as esferas do poder, desde o político ao social, nos dias atuais.

Um assunto que vem ganhando destaque devido ao aumento crescente do consumo de bebidas alcóolicas entre os adolescentes brasileiros. Uma questão preocupante para toda a nossa sociedade: quais são as principais razões para este fato.

Para início de conversa é importante entender que o álcool é uma substância tóxica, capaz de causar dependência de seus usuários. Estamos falando de uma droga lícita, pois é legalmente vendida em todo o país, o que facilita em muito o seu consumo desenfreado entre os jovens, ao mesmo tempo em que dificulta a sua fiscalização.

De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente é proibido oferecer até os 18 anos qualquer tipo de substância que aja no cérebro da criança. Em todo o território nacional o álcool só pode ser vendido a maiores de 18 anos, mas infelizmente sabemos que muitas vezes as leis não são respeitadas. 

A facilidade em se obter bebidas e o seu custo relativamente baixo apenas estimulam o adolescente a beber. E pior ainda, seu consumo pode começar em casa com a aceitação da própria família.

E o que leva um jovem ao abuso da ingestão do álcool? Do fator genético ao emocional, enfim são muitos os fatores que podem contribuir para o desenvolvimento de um quadro de alcoolismo.

O lado psicológico tem um peso muito grande na juventude. A imaturidade e a falta de comunicação com os pais transformam o jovem numa presa fácil para os vícios nocivos. A sensação de relaxamento provocada pela bebida, num primeiro estágio, confere a ele uma maior auto-afirmação dando a falsa ideia de que ele tem o controle da situação. O adolescente mais inibido também encontra na bebida uma forma de se liberar e poder pertencer aos grupinhos dos mais “descolados” na escola ou em outro ambiente social.

A fase conturbada da adolescência aliada à falta de limites dos filhos também favorecem o consumo cada vez maior. O jovem quer ter a “liberdade” de experimentar tudo e vencer desafios, a bebida é apenas mais um. O que ele não sabe é que com o tempo  ele pode se tornar um dependente químico.

De acordo com a recente entrevista para o site  do Dr. Drauzio Varella, o Dr. Ronaldo Ramos Laranjeira, médico psiquiatra e phD em Dependência Química, e o Dr. Mauricio de Souza Lima, médico hebiatra, ambos de São Paulo, o crescimento do alcoolismo entre os adolescentes é assustador.

Um dado importante é que as meninas estão bebendo tanto quanto os meninos e, no futuro, apresentarão maiores danos biológicos que eles. Isto deve-se à diferença metabólica entre os sexos. A seguir temos uma explicação do Dr. Ronaldo Laranjeira para o fato,

“A grande diferença é que a mulher tem um padrão enzimático de absorção do álcool mais efetivo e rápido, porque possui relativamente mais gordura e menos água no organismo. Se compararmos uma menina e um menino, com mesma estatura e peso, que tenham ingerido quantidade igual de álcool, veremos que a concentração alcoólica é maior no sangue da menina. Sendo assim, o dano biológico que o álcool produz nela é mais devastador”.

Um outro aspecto apontado pelos médicos a ser refletido sobre o assunto é a propaganda especializada na venda de bebidas alcóolicas para esta faixa etária, reforçando a ideia de que beber é algo natural e comum, apenas preocupada em favorecer a indústria do álcool. E também relacionam o excesso de álcool ao aumento de acidentes, de atos de violência, sem contar a maior exposição a outras drogas que o jovem sofre.

Mais adiante nesta mesma entrevista, o Dr. Maurício de S. Lima afirma a necessidade de haver controles sociais e explica que,

“… É fundamental destacar que eles devem começar em casa. Muitos pais dão mau exemplo, quando se vangloriam de que secaram uma garrafa de uísque ou não sei quantas latinhas de cerveja no fim de semana. Os filhos chegam à adolescência ouvindo isso de uma pessoa que lhes serve de referência, o que de certa forma acaba incentivando-os a consumir álcool”.

A tarefa de educar os filhos não tem sido nada fácil, ao contrário, parece cada vez mais complicada. Mas uma coisa é certa, proibir simplesmente que o jovem beba não é a melhor alternativa. É necessário abrir espaço para uma conversa didática, ou seja, explicar ao filho as preocupações reais com a saúde e a segurança dele e falar sobre os riscos de se tornar um alcóolatra na adolescência e também da facilidade do envolvimento com outras drogas a partir do uso do álcool.

Os pais precisam estar atentos ao comportamento de seus filhos. Manter um diálogo é sempre um ponto a mais para os pais cautelosos, e saber dizer não aos filhos faz parte da responsabilidade de educar. Muitas vezes o adolescente vai se frustrar com a negativa do pai, mas se for bem orientado, de uma forma coerente, mais cedo ou mais tarde ele vai agradecer.

Os pais são os responsáveis por ensinar os valores morais da família aos filhos. E devem colocar acima de tudo a segurança deles. Infelizmente mesmo na adolescência o risco da dependência do álcool é uma realidade, que não pode ser menosprezada. E ainda, de acordo com a entrevista mencionada, a exposição do cérebro em formação à bebida alcoólica, principalmente no estirão da puberdade, contribui para que o jovem valorize o prazer químico do álcool e passe a usá-lo regularmente.

Ou seja, se depender do marketing da indústria do álcool, infelizmente o índice de alcoolismo entre os jovens só tende a subir, pois a facilidade em se obter bebidas e a sua super exposição não devem cessar.

 

 

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